Câncer de Rim

Câncer de Rim

O que é Câncer de rim?

Sinônimos: câncer renal, hipernefroma, adenocarcinoma de células renais
O câncer de rim representa 3% das doenças malignas que acometem adultos em todo o mundo e é o segundo câncer mais frequente do sistema urinário, ficando atrás do câncer de bexiga. O tipo mais comum deste câncer é o carcinoma de células renais, que representa aproximadamente 90% dos.(1)

O rim também pode ser alvo metástases de outros tipos de câncer que se originam em órgãos à distância, como a mama, pele, bexiga e os próprios ductos que transportam a urina até a bexiga, por exemplo.

No mundo inteiro, aproximadamente 337.000 novos casos de câncer de rim foram diagnosticados em 2017. Do total de portadores da doença, 93.000 mortes foram registradas naquele ano. A distribuição entre os sexos é de 2 homens para cada 1 mulher. A américa latina figura na quinta colocação em relação à incidência do câncer de rim, ficando atrás da América do Norte, Europa, Oceania e Ásia.(2)

Geralmente, o carcinoma desenvolve-se como um tumor único dentro de um rim, mas pode acontecer também de surgirem dois ou até mais tumores dentro de um ou de ambos os órgãos simultaneamente.(3)

O número de casos novos de câncer de rim vem aumentando no mundo inteiro nas últimas décadas, em especial nos países industrializados. Uma possível razão para esse aumento pode estar relacionado ao maior acesso a exames de imagem, como tomografia computadorizada, ultrassom e a ressonância magnética, que levam à identificação da doença em um estágio precoce e sem sintomas.(4)

A literatura médica de até 15 anos atrás, ainda descreve o câncer de rim como uma doença silenciosa, que ocorre com mais frequência em pessoas com mais de 65 anos e que se apresenta com um quadro de dor nas costas, perda de peso e sangramento na urina. Este conjunto de sintomas raramente é visto pelos médicos nos dias atuais.

Causas

Não está claro quais são as causas de câncer de rim. Os médicos sabem que o tumor originado nos rins começa quando algumas células renais sofrem mutações em seu DNA, que passam a crescer e se multiplicar rápida e desenfreadamente. Com o tempo, essas células anormais se acumulam e formam uma massa tumoral que, se não for tratado desde cedo, pode se expandir para além do rim e causar muitas complicações.

Uma linha de investigação que vem ganhando muita aceitação na comunidade científica é a associação do câncer de rim com a síndrome plurimetabólica, na qual o organismo como um todo sofre  os efeitos crônicos de uma vida sedentária, obesidade, estresse emocional, sono de baixa qualidade, alimentação pobre em antioxidantes e rica em carne animal. Esse quadro mantém níveis cronicamente elevados de cortisol, que é um potente inibidor do sistema de imunidade do corpo, o que favorece a multiplicação descontrolada das células do câncer.(5,6)

Outro fator que influencia o desenvolvimento do câncer de rim é a ativação pelo tumor de mecanismos para a formação de novos vasos sanguíneos. Este mecanismo normalmente é acionado pelo corpo em situações onde há a necessidade de cicatrização, mas o câncer pode assumir o controle deste mecanismo para promover a infiltração de tecidos ao redor e possivelmente emitir metástases para outros órgãos.(7)

Fatores de risco

Apesar de as causas para o câncer de rim ainda não serem claras, alguns fatores podem aumentar o risco deste tipo de câncer, como:

  • Idade avançada
  • Tabagismo
  • Obesidade
  • Hipertensão
  • Tratamento para insuficiência renal, como diálise
  • Histórico familiar
  • Doença de von Hippel-Lindau (condição hereditária que afeta os vasos sanguíneos do cérebro, olhos e outras partes do corpo)
  • Carcinoma papilar renal hereditário.

Sintomas de Câncer de rim

O câncer de rim raramente causa sinais ou sintomas em seus estágios iniciais. Nos estágios mais avançados, no entanto, alguns sintomas são muitos comuns, como:

  • Presença de sangue na urina, dando a ela uma coloração anormal e avermelhada
  • Dor nas costas persistente, concentrada principalmente logo abaixo das costelas
  • Dor abdominal
  • Varicocele
  • Perda de peso
  • Dor no flanco
  • Fadiga
  • Febre intermitente.

Diagnóstico e exames

Na consulta médica

Especialistas que podem diagnosticar um câncer de rim são:

  • Urologista
  • Clínico geral
  • Nefrologista
  • Oncologista
  • Hematologista

Estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Dessa forma, você já pode chegar à consulta com algumas informações:

  • Uma lista com todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram
  • Histórico médico, incluindo outras condições que o paciente tenha e medicamentos ou suplementos que ele tome com regularidade
  • Se possível, peça para uma pessoa te acompanhar.

O médico provavelmente fará uma série de perguntas, tais como:

  • Quando os sintomas surgiram?
  • Qual a intensidade dos sintomas?
  • Você sente dor? Onde?
  • Você fuma?
  • Você sofre de hipertensão?
  • Você notou sangramento na urina recentemente?
  • Com que frequência esse sangramento ocorre?
  • Você tem histórico familiar de doenças que afetam o rim? Quais?
  • Você tem histórico familiar de câncer de rim?
  • Você foi diagnosticado com alguma condição de saúde? Qual?
  • Você faz uso de algum tipo de medicamento?
  • Você faz tratamento para algum problema no rim?.

Diagnóstico de Câncer de rim

No Brasil e no mundo, não há programas governamentais com objetivo específico de rastrear o câncer de rim. A maioria dos casos é diagnosticada de forma “incidental” no momento da avaliação de algum outro problema de saúde ou check up de rotina.

Embora não exista um exame de sangue ou mesmo urina que possa detectar o câncer de rim, um conjunto de exames podem ser aplicados para a detecção da doença:

  • Exames de sangue
  • Exames de urina
  • Exames de imagem, como ultrassom, tomografia computadorizada e ressonância magnética
  • Biópsia, com a remoção de uma amostra de tecido do rim, que é enviada e testada em laboratório.

Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de cura. O diagnóstico precoce permite ao médico identificar o tumor quando ele está em seus estágios iniciais, localizado ainda dentro dos rins. Quando o câncer está concentrado em um lugar, é mais fácil de tratar do que quando ele se espalhou para outras partes do corpo.

O câncer de rim pode diagnóstico em 4 diferentes estadios, ou estágios, que variam conforme a extensão e malignidade do tumor. Veja:

Estadio I

Nesta fase, o tumor pode ter cerca de 7 cm de diâmetro e está confinado ao rim.

Estadio II

Na segunda fase, o câncer é maior, mas ainda está confinado ao rim.

Estadio III

Na fase III, o tumor aumenta de tamanho e se expande para além do rim e atinge o tecido que circunda o órgão, podendo se propagar até um nódulo linfático próximo.

Estadio IV

Nesta fase final do câncer de rim, o tumor se espalha para múltiplos nódulos linfáticos ou, ainda, para partes distantes do corpo, como o osso, fígado e pulmões – podendo causar metástase.

Tratamento de Câncer de rim

A cirurgia é o único tratamento definitivo para o câncer de rim. A nefrectomia radical, que é a retirada do rim, da glândula adrenal e de linfonodos regionais, é o tratamento tradicional e mais indicado para casos de tumores que se originam nos rins.(8)

Em casos onde no momento da operação o urologista identifica que o câncer do rim comprometeu o sistema linfático ao redor do órgão, a remoção em conjunto é recomendada. A este procedimento, damos o nome de esvaziamento de linfonodos ou linfadenectomia.(9)

Graças à evolução da medicina, dos procedimentos de diagnóstico e das técnicas de cirurgia minimamente invasiva (Laparoscopia, Cirurgia robótica, crioterapia e radiofrequência, por exemplo), a nefrectomia parcial, com a remoção apenas do tumor com uma margem de segurança, tem sido preferida à remoção completa do rim comprometido.

Em geral, os resultados da cirurgia parcial são semelhantes ao da radical em termos de chance de cura do câncer, mas com a vantagem de preservar a maior quantidade possível de tecido sadio e funcionante.

Entre as opções menos invasivas, há a possibilidade de o paciente ser submetido a uma nefrectomia radical ou parcial laparoscópica (através de pequenas incisões e com o auxílio de câmeras), que oferece os mesmos índices de cura da cirurgia aberta.

A partir do ano 2000, presenciamos o aumento na utilização e incorporação da cirurgia robótica para o tratamento do câncer de rim. A plataforma permite ao cirurgião um maior controle dos instrumentos de precisão durante a operação, além de favorecer a visão em 3 dimensões do campo cirúrgico e a reconstrução de tecidos com menor trauma.(10) No Brasil, alguns centros especializados já disponibilizam esta tecnologia.

Para este tipo de intervenção, as chances de morte são bem menores e o tempo de internação diminui consideravelmente.(11–13) É possível utilizar a cirurgia laparoscópica para a realização da nefrectomia parcial, porém em casos bastante selecionados, e, às vezes, com índices de possíveis complicações superiores aos da cirurgia aberta.

Casos avançados

Para os pacientes que apresentam o câncer de rim já em estado avançado, com presença de metástases, por exemplos, o tratamento é mais difícil, porém ainda possível. Para esses casos, o tratamento sistêmico com imunoterapia ou pelo uso de drogas inibidoras da angiogênese costuma ser o mais indicado. Esses medicamentos, associados ou não ao tratamento cirúrgico (dependendo muito do caso do paciente) podem levar ao controle e à regressão da doença.(14–18)

Ao contrário de muitos outros tumores, o câncer de rim responde muito mal aos tratamentos oncológicos convencionais: quimioterapia e radioterapia.

Convivendo (prognóstico)

Câncer de rim tem cura?

Em alguns casos, principalmente quando ambos os rins estão comprometidos, o câncer pode espalhar rapidamente, atingindo outros órgãos, como o pulmão. Em cerca de um terço dos casos, o câncer já se espalhou pelo corpo e o paciente já desenvolveu metástases no momento do diagnóstico. Para estes, o tratamento é muito mais difícil e as chances de cura diminuem consideravelmente.

Em geral, a recuperação do paciente depende da extensão do câncer e do bom funcionamento do tratamento.

Prevenção

Não fumar e manter um peso saudável, alimentando-se adequadamente, é um bom meio de prevenir não somente o câncer de rim, mas também outras doenças.

  1. Siegel RL, Miller KD, Jemal A. Cancer statistics, 2018: Cancer Statistics, 2018. CA Cancer J Clin. janeiro de 2018;68(1):7–30.
  2. MOHAMMADIAN M, PAKZAD R, TOWHIDI F, MAKHSOSI BR, AHMADI A, SALEHINIYA H. Incidence and mortality of kidney cancer and its relationship with HDI (Human Development Index) in the world in 2012. Clujul Med. 2017;90(3):286–93.
  3. Binderup MLM. von Hippel-Lindau disease: Diagnosis and factors influencing disease outcome. Dan Med J. março de 2018;65(3).
  4. Lopes Vendrami C, Parada Villavicencio C, DeJulio TJ, Chatterjee A, Casalino DD, Horowitz JM, et al. Differentiation of Solid Renal Tumors with Multiparametric MR Imaging. Radiogr Rev Publ Radiol Soc N Am Inc. dezembro de 2017;37(7):2026–42.
  5. Eskelinen TJ, Kotsar A, Tammela TLJ, Murtola TJ. Components of metabolic syndrome and prognosis of renal cell cancer. Scand J Urol. dezembro de 2017;51(6):435–41.
  6. de Vivar Chevez AR, Finke J, Bukowski R. The role of inflammation in kidney cancer. Adv Exp Med Biol. 2014;816:197–234.
  7. Salama R, Masson N, Simpson P, Sciesielski LK, Sun M, Tian Y-M, et al. Heterogeneous Effects of Direct Hypoxia Pathway Activation in Kidney Cancer. PloS One. 2015;10(8):e0134645.
  8. Shen H, Tu R, Li W, He G, Huang W, Qin Z, et al. Comparison of the Clinical Efficacy of Retroperitoneal Laparoscopic Partial Nephrectomy and Radical Nephrectomy for Treating Small Renal Cell Carcinoma: Case Report and Literature Review. Iran Red Crescent Med J. outubro de 2016;18(10):e23912.
  9. Gershman B, Thompson RH, Moreira DM, Boorjian SA, Tollefson MK, Lohse CM, et al. Radical Nephrectomy With or Without Lymph Node Dissection for Nonmetastatic Renal Cell Carcinoma: A Propensity Score-based Analysis. Eur Urol. abril de 2017;71(4):560–7.
  10. Petros FG, Angell JE, Abaza R. Outcomes of Robotic Nephrectomy Including Highest-complexity Cases: Largest Series to Date and Literature Review. Urology. junho de 2015;85(6):1352–8.
  11. Xia L, Pulido JE, Chelluri RR, Strother MC, Taylor BL, Raman JD, et al. Hospital volume and outcomes of robot-assisted partial nephrectomy. BJU Int. 12 de dezembro de 2017;
  12. Porreca A, D’Agostino D, Dente D, Dandrea M, Salvaggio A, Cappa E, et al. Retroperitoneal approach for robot-assisted partial nephrectomy: technique and early outcomes. Int Braz J Urol Off J Braz Soc Urol. fevereiro de 2018;44(1):63–8.
  13. Vartolomei MD, Matei DV, Renne G, Tringali VM, Crisan N, Musi G, et al. Robot-assisted Partial Nephrectomy: 5-yr Oncological Outcomes at a Single European Tertiary Cancer Center. Eur Urol Focus. 27 de outubro de 2017;
  14. Bedke J, Stühler V, Stenzl A, Brehmer B. Immunotherapy for kidney cancer: status quo and the future. Curr Opin Urol. janeiro de 2018;28(1):8–14.
  15. Bersanelli M, Buti S. Cabozantinib in metastatic renal cell carcinoma: latest findings and clinical potential. Ther Adv Med Oncol. outubro de 2017;9(10):627–36.
  16. Climent MA, Muñoz-Langa J, Basterretxea-Badiola L, Santander-Lobera C. Systematic review and survival meta-analysis of real world evidence on first-line pazopanib for metastatic renal cell carcinoma. Crit Rev Oncol Hematol. janeiro de 2018;121:45–50.
  17. Lalani A-KA, Li H, Heng DYC, Wood L, Kalirai A, Bjarnason GA, et al. First-line sunitinib or pazopanib in metastatic renal cell carcinoma: The Canadian experience. Can Urol Assoc J J Assoc Urol Can. abril de 2017;11(3–4):112–7.
  18. Peng B, Gong J. Sunitinib Enables a Clinical and Pathological Complete Remission of Metastatic Renal Cell Carcinoma (mRCC). Urol Case Rep. maio de 2017;12:78–80.
     
  • Dr. Bruno Benigno

    Dr. Bruno
    Benigno

    Urologia e Oncologia

    CRM 126.265

    • Titular do Núcleo de Urologia do AC Camargo Cancer Center -SP
    • Urologista do Centro de Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz - SP
    • Fellowship em Uro-Oncologia, Laparoscopia e Cirurgia Robótica pelo A.C. Camargo Cancer Center -SP
    • Mestre em Oncologia - FAP
    • Professor de Cirurgia Minimamente Invasiva do Programa de Fellowship do AC Camargo Cancer Center
    • Sócio fundador da Clínica Uro Onco
    • Sociedades internacionais: AUA; CAU; EAU
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