Dietoterapia nos Distúrbios Gastrintestinais

As doenças gastrintestinais podem ser classificadas em orgânicas e reflexas ou funcionais. Qualquer doença gastrintestinal representa uma ameaça em potencial ao estado nutricional do indivíduo. Os objetivos do cuidado nutricional compreendem não só aliviar os sintomas, mas também manter o bom estado nutricional. As desordens gastrintestinais prejudicam as capacidades individuais para consumir, digerir, absorver e utilizar os nutrientes.


Refluxo Gastroesofágico e Esofagite


Inflamação da mucosa esofágica decorrente do refluxo do conteúdo gástrico para o interior do esôfago. Esofagite é a inflamação da mucosa esofagiana. O Tratamento dietético envolve evitar refeições volumosas, dar preferência para alimentos pouco irritantes, evitar temperaturas extremas, evitar álcool, bebidas gasosas, alimentos gordurosos, chocolate, café e pimentas. Aumentar o volume protéico. Evitar comer em menos de 2 horas antes de dormir.

Os objetivos da terapêutica são: prevenir irritação da mucosa, prevenir refluxo diminuir capacidade irritante ou acidez do suco gástrico.

Gastrite

Inflamação da mucosa gástrica que pode ser aguda: decorrente de agressão química (álcool, medicamentos) ou de processos infecciosos. E crônica: possivelmente relacionada com processo auto imune. A dietética será voltada para alimentos pobres em fibras, refeições com baixo volume, evitar álcool, café, alimentos ácidos isolados, quantidade excessiva de líquido, alimentos muito condimentados e fracionar a alimentação. No caso da gastrite crônica deve ser mensurada a vitamina B12, pois tem sua absorção comprometida. O uso de medicamentos se faz necessário.

Úlcera péptica

Doença crônica com períodos de remissões e atividade, caracterizada por lesão ulcerativa da mucosa. Pode estar classificado como úlcera gástrica ou duodenal. Na terapêutica nutricional o paciente deverá comer a cada 3 horas, evitar períodos de jejum deverá evitar bebidas muito quentes, café, chá com teína, evitar pimenta, álcool, e grandes volumes em cada refeição. Fracionar a dieta em 6 refeições ao dia, evitar refrigerantes, controlar a ingesta de leite sem ultrapassar 250 ml ao dia. Padrão muito parecido com a dieta de gastrite.

Constipação intestinal

Caracterizado como mau funcionamento intestinal e a pouca evacuação que pode levar a formação de fezes endurecidas e até fecalomas. A dietética será aumentar o volume hídrico, aumentar a quantidade ofertada de fibras, principalmente às solúveis, pode também haver a suplementação com probióticos. Dieta normal com aumento de frutas e verduras.

Diarréia

O quadro diarréico pode ser inespecífico ou fazer parte de enterocolites, toxinfecções, os DII, por isso devem seguir a terapêutica específica de cada enfermidade. Por causa da grande perda hídrica, deve haver a reposição hidroeletrolítica, a dieta deve ser brande sem resíduos e não irritante da mucosa.

Enterocolites

O intestino delgado ou íleo e o intestino grosso ou cólon apresentam microorganismos colônicos que convivem em simbiose com o organismo humano. Existem mecanismos para controlar a população de microorganismos colônicos que também irão proteger contra invasão de patógenos. Quando existe toxinfecções por diversas causas alimentares, ocorre um grande desequilíbrio neste ambiente intestinal e patógenos se instalam em grande número. Independente da causa, o tratamento dietoterápico segue muito parecido em todos os casos. A preocupação com a reposição hidroeletrolítica, a retirada de alimentos fontes de fibras, suplementar os lactobacilos probióticos, focar em dietas branda, pastosa ou leve e pode ou não, ser acoplado tratamento medicamentoso além de repouso.

Doença Inflamatória Intestinal (DII)

A doença inflamatória intestinal pode possuir diferentes formas e provocar grande variedade de sintomas, o que torna, muitas vezes, dificuldade no diagnóstico específico. Quando o quadro é inespecífico emprega-se a denominação de DII. Algumas doenças inflamatórias possuem diagnóstico fechado entre elas está:

Doença de Crohn

Inflamação crônica granulomatosa que pode ocorrer em qualquer parte do tubo digestivo, da boca ao ânus com maior freqüência no íleo terminal. De causa inespecífica que pode comprometer o organismo, pois não há cura e o portador de Crohn terá controle medicamentoso como alimentar permanente e contínuo. Diversos sintomas que também intercalam quadros diarréicos com constipação, além de vários comprometimentos que podem ocorrer inclusive, manifestações extra intestinais que afetam principalmente olhos e pele. A terapêutica nutricional envolve diversas ações que serão moduladas de acordo com o grau de comprometimento da doença e da espoliação do paciente. Por dificultar a absorção de alguns nutrientes, muitas vezes estes serão suplementados via parenteral. O controle de fontes de fibras, evitar principalmente as fibras insolúveis nos episódios diarréicos. Nas crises há necessidade as suspensão da alimentação oral e em alguns casos ocorrerá necessidade do uso de nutrição enteral ou do uso de fórmulas comerciais específicas para a doença de Crohn. Apesar de ser uma doença grave, são pequenos os casos de óbito e o tratamento será permanente.

Colite ulcerativa

Trata-se de inflamação crônica das camadas superficiais e não se estende para as camadas musculares ou serosa. De etiologia desconhecida. Os sintomas podem varias desde pequenos sangramentos retais até diarréias graves. Com quadros geralmente intermitentes. O objetivo da terapia nutricional é melhorar as condições do paciente. Normalmente a dieta será com padrão normal e deverá ter atenção quanto às fibras. Nos episódios diarréicos restringir as fibras insolúveis e solúveis e diminuir os volumes alimentares, com maior fracionamento da alimentação e manter a reposição hidroeletrolítica. Já as fibras solúveis deverão ser valorizadas com a finalidade de melhorar o volume fecal e diminuir a agressão às paredes do cólon. As dietas muitas vezes deverão ser hipercalóricas e hiperprotéicas, suplementar com probióticos e compostos de vitaminas e minerais.

Doença diverticular

Os divertículos são herniações da parede do cólon através da camada muscular, e formam pequenas “bolsas” ao longo do cólon. Quando os divertículos se inflamam, causados pelo acúmulo de alimento e microorganismos, constitui a diverticulite. A causa pode estar associada à falta de fibra alimentar na dieta alimentar. A conduta alimentar envolve retirar cascas e sementes da alimentação, controlar as fibras insolúveis e aumentar a quantidade de fibras solúveis. Em casos agudos, pode ser necessário suspensão da alimentação e tratamento com dieta líquida sem resíduo, acompanhado de terapêutica medicamentosa.

Doença Celíaca

Também chamada de enteropatia glúten induzida, espru não tropical, espru celíaco. Doença intestinal de origem desconhecida, onde existe ou pode existir má absorção de nutrientes, com lesão histológica específica e com pronta resposta clínica à retirada na dieta de cereais que contém glúten.

O Glúten é uma proteína contida em certos cereais (trigo, cevada, centeio, e aveia) sendo composta de duas frações: glutenina e gliadina. A fração gliadina é a responsável pelo dano histocelular. A interação do glúten com a mucosa do intestino delgado é fundamental para a instalação da doença celíaca. Por isso a medida terapêutica fundamental consiste na remoção permanente e completa do glúten da dieta, todos os alimentos que contenham trigo, centeio, cevada e aveia devem ser excluídos da dieta, assim como todos os derivados e produtos processados que contenham glúten. A dietética será utilizar substitutos que sejam isentos de glúten, como arroz, batata, mandioca, cará, milho e soja. Existem produtos específicos para portadores de doença celíaca. O tratamento dietético deverá ser por toda a vida do paciente.

Colostomia

Procedimento cirúrgico onde se faz uma abertura no abdome (estoma) para a drenagem fecal (fezes) provenientes do intestino grosso (cólon). É feito geralmente após a ressecção intestinal. Ela pode ser temporária ou permanente. O padrão dietético será normal e deve contar com equilíbrio nutricional para não causar constipação ou diarréia. O local da colostomia também irá direcionar os controles dietéticos.

Pancreatite

Inflamação aguda do pâncreas tipo edematoso, necrótico e ou hemorrágico. Pode também a inflamação ser crônica, caracterizada por esclerose progressiva do parênquima glandular. O tratamento dietoterápico deve ter restrição alimentar, suspensão do consumo de álcool, dieta hipogordurosa, mas pode ser normoproteica ou hiperproteica. Há necessidade da administração de enzimas pancreáticas e vitaminas lipossolúveis e do complexo B, via oral e em casos de crises dolorosas, administrar hipoglicemiantes orais e ou insulina se houver quadro de diabetes. Nas pancreatites agudas faz-se necessário entrar com jejum absoluto, aspiração gástrica e nutrição parenteral em casos de jejuns prolongados.

Colilitíase e Colicistite

Presença de cálculos na arvora biliar, na sua maioria ocupam a vesícula biliar (colelitíase). Já a colicistite é o quadro de inflamação súbita e aguda da vesícula biliar, geralmente por obstrução litiásica. O tratamento nutricional em caso de colicistite é jejum, com aporte parenteral e com sonda nasogástrica. E normalmente o tratamento é cirúrgico em ambos os casos. Manter uma dieta hipolipídica poderá ser necessário.

Hepatite e Cirrose

Processo inflamatório do fígado. Pode ser crônico ou agudo. Possui diversos agentes causadores entre eles os vírus: A, B, C; tóxica: álcool e drogas; crônica pode possuir diversos causadores. A inflamação dos hepatócitos pode ser aguda e levar a necrose, cirrose ou ficar sub clínica e não detectável. O Contágio pode acontecer desde água contaminada, contato pessoa/pessoa, contato com fluídos sexuais, infecção alimentar e contaminação sanguínea. E por isso, profissionais que trabalham na área da saúde podem estar mais susceptíveis a alguns tipos de hepatite. O curso da hepatite geralmente inclui quatro períodos: incubação, fase pré ictérica ou prodrômica, fase ictérica e fase de convalescença.

O consumo de álcool deverá ser suspenso em qualquer tipo de hepatite, já que a hepatite alcoólica normalmente leva a cirrose.

Cirrose hepática é a fase terminal e irreversível das doenças que acometem o fígado. Com a morte dos hepatócitos, haverá a substituição deste por tecido fibroso, sem função hepática.

O tratamento dietoterápico é amplo para se adaptar aos diversos tipos e fases de cada hepatite. Poderá ser uma dieta livre ou dieta hipogordurosa ou dieta hiperproteica. E certamente se forem utilizados alimentos funcionais, suplementos vitamínicos, alimentação branda, rica em fibras solúveis, e principalmente evitar gorduras pesadas e saturadas, os resultados da terapêutica serão melhores. A preocupação é quando a hepatite está assintomática ou não diagnosticada, porque nestes casos, se o indivíduo estiver com dieta desequilibrada e sem hábitos saudáveis, poderá comprometer o quadro clínico.

Encefalopatia Hepática

Manifestação de doenças hepáticas graves que comprometam a função hepática, aonde ocorre excesso de metabólitos tóxicos no sangue por causa do fígado não conseguir mais exercer a função depurativa. Estes metabólitos irão afetar e comprometer o cérebro e levar o paciente ao coma. Como isto é normalmente decorrência de um quadro cirrótico, a terapêutica nutricional será dieta hipogordurosa e hipoprotéica, com máximo de 1,0g P/kg de peso/dia, mas o ideal estará em torno de 30 a 40g de proteína dia. Suplementar com minerais e vitaminas para compor o balanço nutricional do paciente e tentar minimizar os efeitos deletérios ao organismo. Tentar eliminar o acúmulo de amônia (um dos metabólitos mais agressivo) será o foco nutricional e terapêutico.

  • Dra. Andréa Esquivel

    Dra. Andréa Esquivel

    Nutricionista e Gastrônoma

    Nutricionista e Gastrônoma, especialista em Marketing Alimentício

    CRN3: 3050

    • Formada em Nutrição pela Universidade de Mogi das Cruzes - 1986.
    • Pós graduação em Marketing pela Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado - 1991.
    • Especializada em Gastroenterologia.
    • Especializada em Gastronomia.
    • Especializada em Marketing alimentício.
    • Membro do da Equipe Multiprofissional da Clinica CEDIG – Centro de Medicina Avançada desde 1999.
    • Diretora da Gastronomia Nutritiva Caiaffa Esquivel – consultoria nutricional, marketing e gastronomia.
    • Professora convidada de diversas universidades pelo Brasil para cursos de pós graduação desde 1999.
    • Professora do Senac para cursos de pós graduação na área de gestão de restaurantes e para cursos técnicos de nutrição.
    • Palestrante nacional e internacional em diversos congressos e cursos na área de saúde desde 1998.
    • Atuação em Obesidade Mórbida desde 2001.
    • Consultora para restaurantes comerciais e para chefs de cozinha.
    • Consultora e colaboradora técnica do Conselho Regional de Nutricionistas, do Sindicato dos Nutricionistas e da Associação Paulista de Nutrição
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