Dietoterapia na Obesidade

A obesidade é um estado nutricional hoje considerado como doença. Classificada como obesidade mórbida, está na escala de IMC (índice de massa corpórea) com valores acima de 40.

IMC

O tratamento da obesidade é clínico. Está baseado na reeducação global (nutricional, física e psicológica). Esta reeducação tríplice precisa ser mantida por toda a vida. O uso de medicamentos tem pequeno valor coadjuvante e deve ser prescrito apenas por especialistas devido ao grande número de efeitos colaterais.

Estudos estatísticos mundiais comprovam que o tratamento clínico só funciona bem até certo peso corporal. Pacientes muito obesos não tem boa resposta ao tratamento clínico. Ou perdem pouco peso ou reengordam com facilidade. Demonstrou-se que até o limite de IMC= 40 kg/m², o tratamento clínico é bem sucedido, mas acima desse valor o resultado é ruim. Por isso afirma-se que o IMC = 40 é o limite do tratamento clínico e pessoas com esse IMC ou maior, são chamadas de Obesos Mórbidos.

Cirurgia Bariátrica

Os obesos mórbidos eram pessoas que não tinham tratamento e continuavam a engordar indefinidamente até falecerem em decorrência das comorbidades (conseqüências que comprometem o organismo e pode levar à morte). Neste panorama surgiu em 1952 nos EUA uma proposta de tratamento cirúrgico e assim nasceu uma especialidade médica denominada Cirurgia Bariátrica. Com o objetivo de emagrecer com saúde e evitar a reengorda.

Existem vários tipos de cirurgia que diferem conforme o seu mecanismo de ação:

  1. Dificultar a entrada do alimento: algumas técnicas são utilizadas com esta finalidade como: banda gástrica (ou cinta), Uma cinta é colocada cirurgicamente em volta do estômago deixando com perfil de ampulheta. Outra opção é colocar dentro do estômago algo que dificulte a ingestão por competição de espaço, trata-se do balão intra gástrico. Apesar de criar dificuldade, todo alimento que passar por estas barreiras serão 100% absorvidos e não manda mensagem para o corpo parar de comer. Estes procedimentos também não são empregados em qualquer paciente, existem diversas restrições e complicações que devem ser analisados antes do procedimento.
  2. Diminuir a fome em nível cerebral e causar saciedade gástrica: alguns hormônios que são produzidos no intestino estão ligados ao sistema de fome e saciedade. A técnica cirúrgica que gera saciedade faz um desvio no tubo digestivo, e redesenha o tubo digestivo. São técnicas de exclusão duodenal. Esta é a técnica de maior consenso por não gerar fome e assim, não gerar conflito entre querer comer e não poder. Esta técnica é conhecida como Bypass Gástrico. Reconhecida internacionalmente como “padrão ouro da cirurgia bariátrica”, é a técnica mais empregada no mundo. Talvez 70% das cirurgias bariátricas no mundo seja Bypass Gástrico.
  3. Dificultar a absorção de gorduras e carboidratos (dissabsorção): este sistema visa diminuir a absorção de gorduras, o que causa má absorção de gorduras e também de carboidratos. A técnica consiste em criar um atalho aonde a comida chega normalmente.e depois desviar para outra parte do intestino, com diminuição do comprimento do trânsito da comida no intestino. Esta técnica é chamada Dissabsortiva. O paciente come o quanto quiser porque não tem nenhum fator restritivo. Se o paciente ingerir muita gordura haverá a eliminação do excesso pelas fezes. Desta forma o paciente emagrece porque absorve mal a comida ingerida.

Por motivos ainda desconhecidos (genéticos, hormonais, psicológicos) os pacientes obesos mórbidos têm na comida a maior fonte de prazer de suas vidas. A cirurgia bariátrica destrói essa fonte, ou porque tira a fome (Bypass) ou porque dificulta a entrada da comida (banda gástrica), ou dificulta a absorção (dissabsortiva). O paciente precisa estar preparado para “trocar a fonte de prazer” após a cirurgia. Antes de operar o paciente precisa ser psicologicamente preparado para a busca saudável de uma nova fonte de prazer, sem que desenvolva uma compulsão por outra coisa.

A cirurgia bariátrica é um primeiro passo de uma longa caminhada em busca do emagrecimento. É necessário que paciente, cirurgião, nutricionista, psicólogo, fisioterapeuta, enfermeiro, componham uma sociedade onde cada um fará sua parte. O paciente precisa entender que ele precisará acompanhar a Equipe multidisciplinar por toda a vida, para emagrecer, manter-se magro, evitar doenças e ser feliz.

As múltiplas metas da cirurgia bariátrica:

  • Evitar complicações operatórias
  • Conseguir emagrecer ao menos 40% do peso inicial
  • Manter esse novo peso por toda a vida
  • Evitar efeitos colaterais da cirurgia
  • Zelar pela felicidade do paciente

A dietoterapia será muito específica. Dependerá do tipo de cirurgia e será dividida em 3 etapas distintas:

  • Pré cirúrgica: tem por objetivo reeducar o paciente para o novo padrão alimentar após a cirurgia. Irá também buscar emagrecer até 20% do peso inicial do paciente e preparar para que possa enfrentar a cirurgia sem complicações nutricionais ou fisiológicas.
  • Pós cirurgia imediato: por um período que varia entre 40 e 120 dias após a cirurgia, haverá a fase de adaptação ao novo padrão alimentar e aos novos volumes além é claro aguardar o período de cicatrização cirúrgica. Neste período, os volumes são extremamente pequenos, a consistência é de líquida a pastosa, o fracionamento é vital e a suplementação de micronutrientes é importante para que não haja quadro de desnutrição e suas decorrências, como queda de cabelo e depressão, entre outros.
  • Período de alta: como este tipo de cirurgia não é reversível, o paciente terá necessidades nutricionais específicas para o resto de sua vida. Dependendo do tipo de cirurgia, será necessário, suplementar micronutrientes que estarão prejudicados pela absorção. Para que o paciente tenha uma sobrevida grande e saudável, o monitoramento nutricional deverá ser constante e perene.

Quais os nutrientes necessários, suas doses e qual o padrão de dieta, será muito individual, pois dependerá de cada paciente e de seu histórico nutricional. Existem obesos mais saudáveis e existem obesos desnutridos e depleciados. Por isso será necessário um trabalho nutricional minucioso e detalhado, com profissionais especializados que possam entender as etapas da terapêutica e entender os sintomas decorrentes às restrições. Como o que ocorre na Síndrome de Dumping.

Síndrome de Dumping

Resposta fisiológica complexa à presença no jejuno de alimentos não digeridos Trata-se da presença de grandes quantidades de alimentos sólidos ou líquidos na porção proximal do intestino delgado. A causa dessa síndrome é o rápido esvaziamento gástrico que pode se seguir à gastrectomia total ou subtotal (cirurgia gástrica com retirada total ou parcial do estômago), a manipulação pilórica, que resulta em perda da regulação normal do esvaziamento gástrico e das respostas gastrointestinais e sistêmicas diante de uma refeição. Esse rápido esvaziamento gástrico pode refletir em liberação inapropriada de hormônios intestinais, que propiciam alguns sintomas locais, como plenitude e distensão gástrica, dor abdominal, diarréia, sudorese, taquicardia, dentre outros. Esses sintomas podem aparecer rapidamente, dentro de 10 a 30 minutos após a refeição (precoce), ou cerca de duas a três horas depois (tardio).

O rápido esvaziamento gástrico leva a maior oferta de carboidratos ao intestino delgado proximal, pois a glicose (forma simples do carboidrato) é rapidamente absorvida. Por isso, os pacientes predispostos devem ter alguns cuidados, como: reduzir o consumo de carboidratos na dieta; realizar refeições com pequenos volumes; evitar a ingestão de líquidos durante as refeições, dentre outros. A suplementação de fibras pode retardar a absorção de carboidratos e reduzir a carga glicêmica e, consequentemente, reduzir a resposta insulínica.

  • Dra. Andréa Esquivel

    Dra. Andréa Esquivel

    Nutricionista e Gastrônoma

    Nutricionista e Gastrônoma, especialista em Marketing Alimentício

    CRN3: 3050

    • Formada em Nutrição pela Universidade de Mogi das Cruzes - 1986.
    • Pós graduação em Marketing pela Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado - 1991.
    • Especializada em Gastroenterologia.
    • Especializada em Gastronomia.
    • Especializada em Marketing alimentício.
    • Membro do da Equipe Multiprofissional da Clinica CEDIG – Centro de Medicina Avançada desde 1999.
    • Diretora da Gastronomia Nutritiva Caiaffa Esquivel – consultoria nutricional, marketing e gastronomia.
    • Professora convidada de diversas universidades pelo Brasil para cursos de pós graduação desde 1999.
    • Professora do Senac para cursos de pós graduação na área de gestão de restaurantes e para cursos técnicos de nutrição.
    • Palestrante nacional e internacional em diversos congressos e cursos na área de saúde desde 1998.
    • Atuação em Obesidade Mórbida desde 2001.
    • Consultora para restaurantes comerciais e para chefs de cozinha.
    • Consultora e colaboradora técnica do Conselho Regional de Nutricionistas, do Sindicato dos Nutricionistas e da Associação Paulista de Nutrição
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