Dieta Mediterrânea - Parte 3

Vinho

Em uma refeição, não se mudar de vinho é uma heresia. A língua se satura e, depois do terceiro copo, o melhor dos vinhos produz apenas uma sensação confusa

Brillat Savarin – Fisiologia do Gosto – 1848

Vinho Tinto

Dieta Mediterrânea

O consumo habitual de vinho está muito presente em diversos países banhados pelo Mediterrâneo, com exceção dos de religião islâmica, onde é proibido o consumo de bebidas alcoólicas. Principalmente na Grécia, país onde iniciou-se a pesquisa sobre um padrão alimentar que pudesse influenciar na prevenção de doenças e contribuir para o aumento da longevidade e da qualidade de vida. Neste país, o consumo de vinho de fabricação artesanal e caseira é grande e constante. Hoje, países como Espanha e Itália, estão entre os maiores produtores mundiais de vinho, além de também serem grandes consumidores per capita, perdendo apenas para a França. Onde o “Paradoxo Francês”, é motivo de diversas pesquisas científicas para avaliação do baixo índice de morte por cardiovasculopatias, apesar dos altos índices de colesterol plasmático.

VIDEIRA

O gênero Vitis, ao qual pertence as videiras, abrange cerca de 30 espécies, sendo que dentre elas as mais importantes são: Vitis vinifera; Vitis labrusca; Vitis riparia; Vitis berlandieri.

Foram identificadas mais de 3.000 variedades de uvas Vitis vinifera em todo o Mundo. Porém para a elaboração de bons vinhos são empregados apenas cerca de 50 que estão, geralmente sub classificadas em brancas, tintas e rosadas. As de clima ameno e seco possuem uma concentração maior de açúcares. As uvas para produção de suco de uva ou para consumo in natura, não são da espécie vitis vinifera, o que pode tornar o vinho e a uva ao natural alimentos muito distintos.

O cacho de uva é composto de uma parte lenhosa – o engaço e de outra parte carnuda – os bagos. Estes, conforme as castas, variam de formato, cor e consistência. O bago por sua vez é formado por uma pele de espessura variável – a película, e na parte interna pela polpa e pelas sementes (que variam de zero a quatro unidades por bago dependendo da variedade).

Vinho Branco e Tinto

Variedades de uvas mais conhecidas e importantes produtoras de vinho e países mais cultivadores:

  • Cabernet Sauvignon – França (Bordeaux – maior região produtora do Mundo) – Também cultivada na Califórnia, Austrália, Itália, Portugal, Espanha, Chile, Brasil e Nova Zelândia.
  • Chardonnay – melhor uva para produzir vinho branco seco - Fança (Bourgogne) –– Também cultivada no Chile, Brasil, Argentina, Alemanha, Itália, Espanha, Austrália e África do Sul.
  • Chenin Blac – origina bons vinhos brancos - França (Vale do Loire) – também cultivada na África do Sul, Nova Zelândia, Califórnia e Austrália
  • Gewürztraminer– Produz vinhos brancos de aroma intenso, geralmente mais alcoólicos França (Alsace) – também usada na Alemanha, Áustria, Itália, EUA, Nova Zelândia e Austrália.
  • Merlot – utilizada para produção de vinhos tintos principalmente os tipos Pomerol e Saint-Émilion, as vezes entra na composição de outros vinhos – França (Bordeaux) – Também utilizada no Brasil, Itália, Califórnia, Austrália.
  • Pinot Noir – única uva a compor os grandes vinhos tintos Bourgogne da Côte D’Or na França – também cultivada na Alemanha e Áustria (com o nome Spätburgunder), Espanha, Suíça.
  • Rieslingresponsável pelos melhores vinhos brancos Alemães das regiões do Rhein, Mosel e Alsace – também empregada na Itália, Califórnia, Nova Zelândia e África do Sul.
  • Sauvignon Blanc – uva branca utilizada para produzir principalmente vinhos secos e doces na região de Bordeaux na França – África do Sul, Nova Zelândia, Austrália e Califórnia seguem o estilo
  • Sémillon–empregada para produção de vinhos brancos secos em Bordeaux e para produção (mesclada com a Sauvignon Blanc) na produção dos vinhos doces Sauternes e Barsac – Também usada na Nova Zelândia, Austrália, Chile e África do Sul.
  • Tempranillo, Syrah, Periquita, Moscatel, Airén, Albarinho – são cepas de uvas muito conhecidas e que possuem países onde se adaptaram muito bem, produzindo grandes vinhos.

Diversos vinhos são feitos por mesclas de uvas, onde as vinícolas buscam com isso, o exclusivo bouquet de cada vinho produzido.

Pura curiosidade: Uma única garrafa do vinho Château Petrus safra de 1985, pode chegar facilmente ao valor de R$ 500.000,00. Se trata de um dos vinhos mais cotados de Bordeaux, feito com uma única uva, merlot, e produz-se um pequeno lote de 4.500 garrafas por safra.

HISTÓRIA DO VINHO

Especificamente, estima-se que o vinho deva ter entre 7 a 8 mil anos, sendo o Oriente Médio seu berço, podendo ser considerado tão velho quanto o azeite e o pão, como os primeiros alimentos processados pelo Homem. E sua propagação pela Terra foi muito semelhante ao do azeite, sendo a região Mediterrânea o grande centro de sua cultura e difusão.

A descoberta do vinho deve ter acontecido por acaso através da fermentação natural das uvas armazenadas. O vinho produzido pelos povos antigos em nada se assemelham com os paladares atuais, sendo avinagrados e salgados pelas maresia dos mares por onde eram transportados. Os gregos possuíam o costume de misturas diversas coisas ao vinho, de água do mar à ervas e mel (habito retomado na Idade Média). Não se sabe se faziam para melhorar, conservar ou disfarçar seu sabor.

Cristo e os católicos o utilizaram para simbolizar seu sangue. Os gregos e romanos criaram divindades para homenageá-lo (Dionísio e Bacco). Na Idade Média, a igreja que já pregava seu consumo litúrgico, passa também a produzir criando métodos próprios.

O vinho foi um dos primeiros medicamentos utilizados pelo Homem. Os hindus já utilizavam o vinho como anestésico local, cerca de 2.000 anos aC. Hipócrates (grego, pai da medicina) já reconhecia as qualidade dietéticas e fisiológicas do vinho. Galeno (célebre médico romano) o empregava nas feridas dos gladiadores. Pasteur proclamou-o como “a mais saudável e higiênica das bebidas”. Alexander Fleming (descobridor da penicilina) ficou fascinado pelos poderes antibióticos do vinho. Pasteur, no século XIX, explicou pela primeira vez, como se processava a transformação do suco de uva em vinho, mostrou e identificou a ação das leveduras sobre o açúcar, transformando-o em álcool e gás carbônico.

Lenda: Uma lenda francesa diz que, antigamente, quando os cavalos carregavam as uvas, o perfume das rosas servia para orientação no trajeto pelo vinhedo. Mas a utilização de roseiras junto as uvas, até hoje ainda é para alertar sobre eventuais pragas no vinhedo.

COMPOSIÇÃO CENTESIMAL DE 100ml DE VINHO TINTO SECO DE QUALIDADE (COM CONTEÚDO ALCOÓLICO DE 10%): COMPOSIÇÃO CENTESIMAL DE 100g DE UVA:

Kcal: 80 calorias

Manganês: 200mcg

Água: 88,0g

Ferro: 600mcg

Proteínas: 0,2g

Cobre: 40mcg

Carboidratos: 0,3g

Zinco:130mcg

Ácidos orgânicos: 0,3g

Outros componentes:

Etanol: 10g

Ácido málico: 25mg
Ácido láctico: 225mg
Ácido cítrico: 11mg
Ácido tartárico: 150 mg
Extrato: 2,53g

Sais minerais: 0,3g

Ácido pantotenico: 200mcg

Nicotinamida: 100mcg

Potássio: 105mg

Kcal: 70 calorias

Ferro: 510mcg

Água: 81,1g

Cobre: 60mcg

Proteínas: 0,7g

Zinco:80mcg

Carboidratos: 15,6g

Outros componentes:

Ácidos orgânicos: 0,6g

Frutose: 7,53mg
Glicose: 7,37mg
Ácido salicílico: 1,4mcg
Ácido málico: 540mg
Ácido cítrico: 25mg
Ácido oxálico: 8mg
Ácido tartárico: 530 mg

Fibra: 1,6g

Sais minerais: 0,5g

Ácido pantotênico: 65mcg

Nicotinamida:230mcg

Manganês:75mcg

Potássio 190mg

Fonte: Souci, Fachmann e Kraut – Food Composition and Nutrition Table, 1989

Importante observar:

  • Vinho concentra alguns minerais e diminui a quantidade dos ácidos presentes na uva. Algumas vitaminas estão também mais concentradas e disponibilizadas no vinho que na fruta in natura.
  • Grau de etanol (teor alcoólico) de vinho pode variar entre 10º e 16º, resultado da fermentação natural dos diferentes tipos de uva. Ou poderá sofrer adição de destilados para conter a fermentação e consequentemente ter aumentado seu teor alcoólico. Isto acontece em alguns vinhos licorosos ou digestivos. Deve-se estar atento à graduação alcoólica para indicar moderação. Não são todos os vinhos que são saudáveis.
  • O tanino está presente no vinhos entre 1g e 3g por litro, sendo que em menor quantidade nos vinhos brancos.
  • Consumo de uva deve ser moderado para pessoas com propensão de formação de pedras nos rins (pelo conteúdo de ácido oxálico), e as pessoas alérgicas a salicílicos (pela presença de ácido salicílico). Enquanto que no vinho estes ácidos não mais estão presentes.
  • O consumo das uvas frescas é muito importante e deve ser estimulado. Contém os bioflavanóides que também se manterão presentes no vinho. Consumir as uvas com cascas, aumenta os antioxidantes como as antocianinas e carotenóides presentes na casca, que ajudam a combater os radicais livres e também aumenta a oferta de fibras na alimentação.

PRODUÇÃO DO VINHO: Da Parreira à Garrafa

Sua qualidade final depende da combinação de fatores ambientais (clima, solo), genéticos (variedades das uvas) e agronômicos (técnicas de cultivo), técnicas de produção, de armazenamento e continua até seu envase.

O vinho, é um produto cujas características organolépticas variam conforme a região de origem.

Bebida essencialmente natural, o vinho é o simples resultado da fermentação do suco de uva (mosto), por ação de levedos naturais que consomem os açúcares e os transformam em álcool e gás carbônico.

As variações começam a surgir: se as uvas são tintas e a casca fica misturada ao mosto durante a fermentação, o vinho fica tinto; se a casca fica pouco tempo, o resultado é um vinho rosé; se as uvas são brancas ou se são tintas mas a casca é imediatamente separada do mosto, o vinho fica branco. Se ao longo da fermentação, deixa-se escapar o gás produzido, o vinho fica “tranqüilo”, o vinho de mesa comum. Se o gás é aprisionado e misturado ao líquido, o vinho fica espumante como o Champagne. Se a fermentação é levada até o fim, praticamente todo o açúcar é consumido e o vinho fica seco. Se a fermentação é interrompida antes, o vinho ficará mais doce. Se para deter a fermentação (matando as leveduras) for adicionado destilados, o vinho ficará mais doce e mais alcoólico, chamado de vinho fortificado. Claro que todas estas descrições referem-se a vinhos de qualidade.

O melhor período de colheita das uvas nos parreirais é o verão, no Brasil vai de janeiro ao começo de março, já no hemisfério norte vai de setembro a quase dezembro. Mas pode variar de acordo com as chuvas. Se ocorreram muitas chuvas, é adiada a colheita.

Assim que chegam às vinícolas, as uvas passam por um equipamento que as esmaga levemente. Seguem então, para uma segunda máquina, que separa e descarta os caules (engaços) dos frutos.

As cascas das uvas brancas são logo separadas do mosto (suco) e prensadas, resultando numa massa geralmente utilizada como adubo. O mosto vai para enormes tanques de aço inoxidável (no passado eram de madeira) onde se dá a fermentação, o processo de transformação dos açúcares da uva em álcool.

No caso dos vinhos tintos, após a retirada dos caules, o mosto fica em contato com as cascas dentro de tanques de concreto (piletas), aço inox ou de madeira (pipas) fermentando durante um período que pode variar em torno de 10 dias a 1 mês. São as cascas das uvas tintas que dão cor e outros componentes fundamentais aos vinhos tintos. As cascas depois são prensadas e reutilizadas para vinhos de menor qualidade. (Vale ressaltar que justamente este processo é que propicia ao vinho tinto obter mais polifenóis, concentrar os sais minerais e nutrientes. Principalmente o Resveratrol).

Os vinhos de melhor qualidade são armazenados em barris de carvalho, que permitem à bebida sofrer uma suave oxigenação por meio dos microporos da madeira. Esse armazenamento ajuda a compor os aromas e sabores da bebida. O tempo de armazenamento varia de acordo com as características da uva e do vinho que se deseja. Os brancos não passam pelos barris de carvalho.

Alguns vinhos são filtrados antes do engarrafamento. Os que não sofrem este processo vão formar uma borra na garrafa que obrigará o vinho a ser decantado antes de servir.

O processo de envelhecimento não ocorre nas barricas, mas sim nas garrafas, onde mais de 400 substâncias que compõem o vinho interagem quimicamente. Mas não são todos os vinhos que têm características capazes de os tornarem melhores com o tempo. Alguns vinhos jovens possuem vida curta, não devendo ficar mais de 8 anos guardados.

Classificação dos vinhos no Brasil:

  1. vinho de mesa,
  2. vinho espumante natural,
  3. vinho espumante gaseificado,
  4. vinho licoroso,
  5. vinho composto,
  6. vinho leve.

O vinho de mesa será considerado: seco - até 3g/l de glicose; suave – entre 3,1 e 20g/l de glicose e doce - a partir de 20g/l de glicose. E se apresentar no rótulo a palavra fino, será considerado de qualidade. O rótulo deve indicar a Denominação de Origem Controlada para o vinho ter qualidade.

Roda de Aromas

By A.C. Noble from Departament of vit. & Enology, U.C. Davis

RODA DE AROMAS DO VINHO

O sistema Límbico do cérebro é responsável pela memória e pela captação do sentido olfativo. Pode-se dizer que a memória olfativa é um grande arquivo de sensações experimentadas ao longo da vida, armazenadas de maneira desorganizada. Mas para o apreciador de vinho, esta bagunça precisa de certa organização. Por isso existe um ritual de degustação onde, quanto maior for o tempo dedicado na exploração dos aromas (bouquet) e associando-os a memórias próprias e identificações pessoais; pode-se captar e aproveitar melhor o vinho, inclusive aumentar sua capacidade digestiva, pois os aromas agradáveis estimularão a produção dos sucos digestivos.

“O vinho, por pedir agudamente atenções sensoriais, requer que sejamos mais presentes, exige de nós maior proximidade da vida. Prazeroso, o vinho traz além de outros benefícios, o deleite contido em nossa memória.” – Sérgio Inglez de Souza

A ilustração acima, demonstra a riqueza de aromas que um único vinho pode conter. E serve de base para um aprendizado degustativo através dos odores gravados na memória. Alguns enólogos possuem uma caixa com mais de 150 aromas para treinar o olfato.

Para degustar vinhos deve-se estimular todos os sentidos: visão analisando cor, limpidez, fluidez (ou corpo); olfato; paladar - sensações gustativas: doce (álcool etílico, glicerina e açúcar residual), salgadas (alguns minerais), ácidas (ácidos orgânicos e inorgânicos) e amargas (taninos e excesso de minerais); tato - sensações táteis e térmicas: glicerina (untuosidade), extrato seco (corpo), tanino (aspereza), gás carbônico (picante) e álcool etílico (calor); audição com “tim tim” dos copos.

VINHO – ALIMENTO FUNCIONAL

O vinho, tanto branco como tinto são considerados alimentos funcionais pela comunidade científica, decorrente de diversas pesquisas que demonstram os efeitos positivos das substâncias contidas nos vinhos. O vinho tinto possui cerca de 1.000 a 4.000 mg/l de polifenóis totais enquanto o vinho branco cerca de 200 a 300mg/l (GORINSTEIN,1999).

Os Fenólicos dos vinhos possuem efeitos inibidores da oxidação do LDL. As alterações bioquímicas positivas pela melhora do metabolismo dos lipídios, pelo aumento da atividade antioxidante e pela melhora do estado de coagulação; contribui para a diminuição da morbidade por doenças coronarianas (GORINSTEIN,1999).

Os Taninos e as Epicatequinas presentes no vinho são 20 vezes mais potentes anti oxidantes que a vitamina E (GORINSTEIN,1999).

O Resveratrol e o seu mecanismo de ação na redução da degradação peroxidativa das LDL, parece ser decorrente de sua propriedade de quelação do cobre (ANDLAUER et al.,1998).

Estudos in vitro demostraram que a agregação plaquetária parece ser reduzida em presença de Resveratrol, tanto do suco de uva como do vinho (DREOSTI, 2000).

O vinho tinto, por seu método de produção, que mantém as cascas durante a fermentação, faz aumentar a presença de antocianinas e procianidinas, sendo superiores ao suco de uva e ao vinho branco.

Os vinhos produzidos na Serra Gaúcha brasileira, com as uvas Merlot, Tannat e Sangiovese, apresentam altos índices de Resveratrol, 8mg/l contra uma média de 3mg/l dos demais vinhos (EMBRAPA 2002). Já os flavonóides estão mais presentes nos Chiantis, Bordeaux e Riojas (Andlauer et al. 1998).

Pesquisas brasileiras, ainda inconclusivas, revelam que a classe de solo não gera influência na quantidade de Resveratrol na uva. Mas já pode-se afirmar que solos com menor matéria orgânica geram plantas com mais Resveratrol. O tipo de cultivo e os métodos de produção ainda podem ser decisivos para o aumento do Resveratrol no vinho (EMBRAPA 2002).

O vinho para o sistema digestório: melhora o funcionamento do estômago e do pâncreas, sistema hepato-biliar e intestinal, por estimular a produção dos sucos digestivos, ajuda no esvaziamento gástrico e facilita a absorção intestinal de vitaminas e alguns minerais. Além de estimular as funções renais, possui ação antisséptica e bactericida pelo etanol e pelo tanino.

O vinho ingerido em quantidades adequadas, constitui um valioso complemento alimentar. Quando em altas doses, o álcool etílico age como um tóxico. Recomenda-se que o vinho seja ingerido às refeições, evitando assim que o álcool passe direto para o sangue. A quantidade de vinho que pode ser absorvida pelo organismo, varia com a pessoa, idade, constituição física, sexo e hábito de beber vinho às refeições. O vinho é muito mais que uma simples bebida alcoólica, pois é composto por mais de 300 substâncias.

Algumas dicas para se tornar um autêntico entendido em vinhos

  • Segurar o copo pelo pé: – o vinho deve sempre ser servido em copos com pé, por onde devem ser segurados para não aquecer o vinho com o calor das mãos. O que mudará o sabor e aroma.
  • Copos adequados: os copos mais adequados para consumir vinhos não devem ser: muito pequenos, muito grossos, sem pé, coloridos ou muito trabalhados. Deverá ser um copo com a taça ampla, sendo as maiores para os tintos e as menores para os brancos e os tipo flauta para o champagne.
  • Nunca abra garrafas de vinhos que acabaram de trazer no carro e foram muito agitadas. Todo vinho deve ser guardado deitado em local fresco, mais para úmido, longe de raios de sol e de odores fortes. Tampouco compre garrafas que estiveram expostas ao sol.
  • Não se deve fazer barulho (“pof”) quando abre-se uma garrafa ou disparar à distância as tampas dos champagnes. Deve-se utilizar utensílios adequados para não destruir a rolha. E jamais deverá empurrar a rolha para dentro da garrafa.
  • É completamente deselegante e desaconselhável, encher o copo até a borda. Deve-se encher a taça de vinho tinto ¾ e deixar espaço para no girar do vinho poder observar seu corpo e, exalar seu bouquet. O vinho branco coloca-se ½ taça para que o vinho não aqueça, já que o vinho branco deve ser tomado fresco para exalar melhor seus aromas.
  • O Champagne é o único vinho que pode ser servido acompanhando todo tipo de prato, da entrada à sobremesa. Mas não deve-se enfiar a garrafa de boca para baixo no balde de gelo para informar que seu líquido acabou.
  • A temperatura ambiente que o vinho tinto deve ser servido é em torno de 18ºC, caso a temperatura seja superior, pode-se resfriar o vinho antes de servir.
  • Vinho que tenha o gosto da uva não é critério de qualidade de um vinho.
  • Quanto mais caro melhor, é uma expressão errada. Deve-se avaliar custo benefício quando se avalia um vinho. Muitos vinhos têm seus preços elevados por questões de modismo.
  • É um grande erro servir diferentes vinhos na mesma taça. Sempre que houver a troca de garrafas, deve-se trocar as taças afinal, cada vinho tem sua peculiaridade e aromas que se mantém no copo. Tampouco deve-se servir tipos de vinho diferentes ao mesmo tempo.
  • Vinhos mais fortes combinam com pratos mais pesados e condimentados. Assim como as variedades mais suaves harmonizam-se com receitas mais leves. Essa é a regra geral para vinhos, por isso pode-se tomar vinhos tintos com peixe, desde que combinem.

RECEITAS:

Maçãs ao forno: retire o miolo de 4 maçãs e recheie com uvas passas demolhadas em vinho tinto (por 1 hora), açúcar e nozes pecan picadas. Polvilhe cada maçã com açúcar mascavo e espalhe 100ml de vinho tinto. Leve ao forno cobertas com papel manteiga e deixe por 30 minutos.

Pêras ao vinho: descasque 4 pêras preservando o cabo. Leve ao fogo em uma panela tampada com vinho tinto que cubra a metade das pêras. Deixe cozinhar em fogo lento por 20 minutos, regando as pêras de vez em quando. Retire as pêras, acrescente 2 colheres sopa de açúcar e deixe encorpar. Sirva a seguir as pêras com a calda de vinho e decore com folhas de hortelã.

Vinha d’alho: para marinar carnes vermelhas e caças, deixe de molho em tigela tampada e no refrigerador, com uma mistura de vinho tinto, alho cru amassado, sal, tomilho, alho poró, grãos de zimbro, de pimenta verde, vinagre balsâmico e folha de louro. O tempo vai variar do tamanho da carne e do tipo de caça. Não ultrapasse mais de 8 horas. Leve para o tipo de cocção à gosto.

Para saber mais:

  • Amarante, José O. A. – Vinhos do Brasil e do Mundo – Sumus Editorial, 1983
  • Andlauer W, Stehle P, Fürst P – Chemoprevention – A Novel Approach in Dietetics. Curr Opin Clin Nutr Metab Care, 1:539-47,1998.
  • Barreto, Ronaldo Lopes Pontes – Passaporte para o Sabor – Editora Senac,2ª edição 2001
  • Debuigne, Gérard, Larrousse Dictionary of Wines of the World – Ed. Hamelyn – Londres, 1976.
  • Dreosti I – Antioxidant Polyphenols in Tea, Cocoa, and Wine – Nutricion, 16 (7/8):692-694 – 2000.
  • Embrapa 2002 vinicultura
  • Enciclopedia de la Alimentación y la Dietética – direção editorial: Luis Miracle – Editorial Argos Vergara, S.A. - Espanha, 1979
  • Gorinstein S, Zemser M, Hau\ruenkit R, Chuthakorn R, Grauer F, Martin –Belloso O, Trakhtenberg S – Comparative Content of Total Polyphenols and Dietary Fiber in Tropical Frits and Persimmon. J.Nutr. Biochem, 10:367-71, 1999.
  • Souci, Fachmann e Kraut – Food Composition and Nutrition Table, 1989
  • Souza, Julio Inglez – Uvas para o Brasil – Ed. Melhoramentos

Paginas da Web:

Resumo

A popularidade e divulgação da Dieta Mediterrânea como benéfica ao organismo fez do vinho tinto um produto de alto consumo em todo o Mundo. Não mais só pelo sabor e status, agora também com finalidades terapêuticas. Os nutricionistas devem estar atentos às pesquisas para conduzirem suas condutas nutricionais. A linha que separa o consumo terapêutico do vício alcoólico, pode ser pequena ou invisível para alguns indivíduos. Compreender que não é qualquer vinho que pode ser considerado alimento funcional e cabe ao nutricionista trabalhar também com técnicas culinárias que possam agregar os benefícios do vinho sem possuir os malefícios do álcool. Conhecer os valores nutricionais da uva e do vinho, suas variedades, modo de produção e regras sociais para o consumo. Compreender o que torna o vinho um alimento funcional, fazendo parte da nova pirâmide nutricional. Conhecer algumas receitas funcionais com vinho, e aprender como o vinho pode tornar a Gastronomia Nutritiva.

  • Dra. Andréa Esquivel

    Dra. Andréa Esquivel

    Nutricionista e Gastrônoma

    Nutricionista e Gastrônoma, especialista em Marketing Alimentício

    CRN3: 3050

    • Formada em Nutrição pela Universidade de Mogi das Cruzes - 1986.
    • Pós graduação em Marketing pela Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado - 1991.
    • Especializada em Gastroenterologia.
    • Especializada em Gastronomia.
    • Especializada em Marketing alimentício.
    • Membro do da Equipe Multiprofissional da Clinica CEDIG – Centro de Medicina Avançada desde 1999.
    • Diretora da Gastronomia Nutritiva Caiaffa Esquivel – consultoria nutricional, marketing e gastronomia.
    • Professora convidada de diversas universidades pelo Brasil para cursos de pós graduação desde 1999.
    • Professora do Senac para cursos de pós graduação na área de gestão de restaurantes e para cursos técnicos de nutrição.
    • Palestrante nacional e internacional em diversos congressos e cursos na área de saúde desde 1998.
    • Atuação em Obesidade Mórbida desde 2001.
    • Consultora para restaurantes comerciais e para chefs de cozinha.
    • Consultora e colaboradora técnica do Conselho Regional de Nutricionistas, do Sindicato dos Nutricionistas e da Associação Paulista de Nutrição
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