Aleitamento Materno Garante a Saúde Intestinal da Vida da Criança

Aleitamento Materno Garante a Saúde Intestinal da Vida da Criança

Introdução

Amamentar no seio faz parte da vida natural do ser humano, assim como nascer de parto normal, alimentar-se com alimentos provenientes da natureza e respeitar o ciclo da vida. Este artigo trata do aleitamento materno com promoção da saúde do indivíduo para sua longevidade através da colonização da microbiota intestinal, que é por onde começa a imunidade7.

O aleitamento materno, além de benefícios nutricionais, tem benefícios emocionais, devido ao vínculo mãe e filho e benefícios fisiológicos, através da sucção que o bebê deve trabalhar para dar continuidade ao seu desenvolvimento natural.

A microbiota intestinal da criança é formada pelo aleitamento materno, pois o leite humano contém diversos fatores que colonizam e protegem o trato gastrointestinal do bebê, além de ser o único alimento perfeito para a criança.

Discussão

Amamentar é a forma mais natural de alimentar e nutrir um bebê, provêm uma combinação única e perfeita de proteínas, lipídios, carboidratos, vitaminas, minerais, enzimas e células vivas, com conhecidos e inquestionáveis benefícios nutricionais, imunológicos, psicológicos e econômicos1, por ser um fluido biológico complexo específico para a espécie, adaptado ao longo da existência humana para satisfazer perfeitamente as necessidades nutricionais e imunológicas da criança2.

As principais vantagens do aleitamento materno são baseadas nas propriedades anti-infecciosas, anti-inflamatórias e imunomodulatórias1,2,6. GREER, FR concluiu em estudo que o aleitamento materno previne doenças atópicas, alergias e doenças respiratórias.

Existem vários fatores que determinam a microbiota do ser humano, são eles: genética, tipo de parto pelo qual o indivíduo nasce, alimentação, contaminação ambiental e agentes antimicrobianos3. Vamos discutir aqui a alimentação, de acordo com estudo de BRANDT, KG et al., crianças amamentadas em seio materno são muito menos suscetíveis à doenças devido à colonização de bifidobactérias que o leite materno promove. O estudo mostrou que crianças alimentadas com fórmulas artificiais desenvolvem flora mais diversa, composta também de bacteróides, enterobactérias, enterococos e clostridium sp., representando cerca de 50% do total da microbiota intestinal. Isso devido a fatores imunológicos do leite materno, como IgA secretora, lisozima, lactoferrina e nucleotídeos que inibirem a microbiota patogênica; o baixo pH intestinal de bebês amamentados ao seio previne a proliferação de bactérias patogênicas e favorece o crescimento de bifidobactérias, por essas serem acidófilas; o metabolismo do ferro lácteo também é importante para o crescimento das bifidobactérias, devido à baixa concentração de ferro no leite materno com alta biodisponibilidade e com absorção favorecida pela lactoferrina, que resulta em baixo ferro na luz intestinal para o crescimento das bactérias patogênicas, sem prejuízo para as bifidobactérias, já que essas não precisam de ferro para proliferar; e, por fim, os fatores bifidi, presentes exclusivamente e em alta quantidade no leite materno, que são uma família de oligossacarídeos que só podem ser metabolizados pelas bifidobactérias, sendo prebióticos para a microbiota intestinal humana. Por todos esses motivos, ainda não foi possível mimetizar o leite materno numa fórmula3.

O leite materno é dividido em três etapas distintas: o colostro, o leite de transição e o leite maturo. Sendo o colostro o primeiro leite, é fundamental para a primeira hora de vida da criança, reduzindo significativamente a taxa de mortalidade neonatal, de acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, justamente por colonizar o intestino do neonato, iniciando sua resposta imunológica. O colostro é um fluido amarelado e denso, com pouco volume e que preenche as células alveolares da mama no terceiro trimestre de gestação. É rico em proteínas e minerais e pobre em lactose e lipídeos, de acordo com as necessidades do recém-nascido na primeira semana de vida. É rico em imunoglobilinas, lactoferrina e leucócitos, e facilita o crescimento dos Lactobacillus bifidus no trato gastrointestinal e a eliminação do mecônio. O leite de transição se inicia entre o sétimo ao decimo dia e dura até a segunda semana pós parto, mudando a composição do colostro, com a diminuição da concentração de imunoglobulinas e proteínas e um aumento de lactose e energia, até atingir a composição do leite maturo. O leite maturo é uma mistura homogênea de emulsão (partículas de gordura), suspenção (micelas de caseína) e solução (componentes hidrossolúveis)1,6.

O aleitamento materno garante a imunidade da criança devido a sua composição imunológica. O leite materno possui as células leucocitárias que são responsáveis pela resposta imune sistêmica e local, os macrófagos e os neutrófilos polimorfonucleares que têm ação bactericida e fungicida, os linfócitos que têm ação citotóxica em microorganismos e estimulam o sistema imunológico da criança e que, além disso, são responsáveis pela produção de anticorpos contra inúmeros patógenos, as imunoglobulinas, em especial a IgA secretora que previne a adesão de microorganismo na superfície intestinal e age contra diversos vírus e bactérias, a Lactoferrina, que, como já dito, priva os microorrganismos de ferro e exerce atividade bactericida, antiviral, anti-inflamatória e imunomoduladora e a lisozima que media a lise de bactérias e pode ter efeito imunomodulador.

Algumas proteínas e gorduras têm função anti-microbiana, ligando-se a nutrientes para as bactérias e impedido a ligação de bactérias e vírus à mucosa intestinal, ao mesmo tempo os lipídios tem ação detergente de ácidos graxos e monoglicerídeos provenientes da lise de bactérias, vírus e protozoários. Os oligossacarídeos diminuem o pH intestinal, promovendo o crescimento de bifidobactérias e impedindo a multiplicação e a adesão de patógenos1. Esses e outros fatores desconhecidos e conhecidos melhoram a resposta do bebê à doença, sempre através do intestino saudável, construído pelo aleitamento materno1.

Conclusão

Os benefícios da amamentação são muitos, fortalecimento do vínculo mãe e filho, boa nutrição da criança por um alimento perfeito para o ser humano, bem estar da mãe e boa recuperação pós parto e garantia da saúde da criança para toda a vida, devido à composição do leite materno que, além de fornecer nutrientes de forma ideal para cada fase da vida do bebê, constrói a imunidade da criança. Esses benefícios normalmente são associados a longos períodos sem apresentar nenhum tipo de doenças, então, como profissionais da saúde, temos que encorajar a amamentação e estimular e garantir esse ato até o primeiro ano de vida do bebê6.

Referências

  1. NASCIMENTO MBR do et al. Breastfeeding: Making the diference in the development, health and nutritionof term and preterm newborns. Rev. Hosp. Clín. Fac. Med. S. Paulo; 58(1):49-60, 2003.
  2. MACKIE, RI; SGHIR, A; GASKINS HR. Developmental microbial ecology of tje neonatal gastrointestinal tract. Am. J. Clin. Nutr.; 69(suppl): 1035S-45S, 1999.
  3. BRANDT, KG; SAMPAIO, MMSC; MIUKI, CJ. Pediatria; 28(2): 117-27, 2006.
  4. DAVIS, JN; WEIGENSBERG, MJ; SHAIBI, GQ; et al. Influence of Breastfeeding on Obesity and type 2 diabetes risk factors in latino youthwith a family history of type 2 diabetes. Diabetes Care; 30(4):784-789, 2007.
  5. CEBRA, JJ. Influences of microbiotaon intestinal imune system development. Am. J. Clin. Nutr.; 69(suppl): 1046S-51S, 1999.
  6. GOUVÊA, LC. The role of maternal milk in the prevention of diseases. Einstein; 3(2): 119-122, 2005.
  7. CARREIRO, DM; CORREIA, MM. Mães Saudáveis tem Filhos Saudáveis. 1 ed. São Paulo: Ed. Referência. 2010.
  • Dra. Rebecca Isaac

    Dra. Rebecca Isaac

    Nutricionista Clínica

    Nutricionista Clínica, especialista em Nutrição Funcional

    CRN 11855

    • Formada em Nutrição pela UAM - 2000.
    • Pós graduação em Fisiologia de Exercício pela Escola Paulista de Medicina - 2002.
    • Pós graduação em Nutrição Clínica pela UnicSul - 2014.
    • Atuação em Anorexia, Bulimia e Obesidade Mórbida pelo AMBULIM – Hospital das Clínicas – 2001-2002.
    • Especializada em Programação Metabólica (Gametogenese, Fecundação, Gestação. Introdução alimentar e Saúde do Bebê, Criança e Adulto).
    • Especializada em Alergia Alimentar.
    • Especializada em Transtornos do Espectro Autista e Deficiência Intelectual.
    • Especializada em Dietoterapia e Suplementação em Distúrbio de Gastro-Proctoenterologia
    • Membro do da Equipe Multiprofissional da Clinica CEDIG – Centro de Medicina Avançada desde 2015.
    • Palestrante em diversos congressos e cursos na área de saúde desde 2003.
    • Participante de Congresso Anuais para atualização profissional
    • Consultora para restaurantes comerciais e para chefs de cozinha.
    • Membro do Instituto Brasileiro de Nutrição Funcional - IBNF
    • Membro da Academia Brasileira de Nutrição Funcional
    • Associada a VP – Centro de Nutrição Funcional
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